domingo, 25 de dezembro de 2011

Um brinde!

Vou me alimentar de hipocrisia
Fingir alegria todo dia
Brindar a falsidade,
O medo e a solidão
Fazer de contar que há paz no coração
Que o sossego reina na hora do sono
E que o sono vem fácil

Vou vestir a máscara
Pra ser igual a todos os iguais
Acreditar que tudo muda no fim do ano
Que ano que vem a esperança vai mudar alguma coisa
Como se algo mudasse assim

Repentinamente

sábado, 24 de dezembro de 2011

Desde o começo de tudo, muitas coisas mudaram no mundo e ao mesmo tempo o mundo continuou no mesmo lugar. O relativismo tomou conta e matou as coisas que poderiam ser eternas. O acaso passou a ser estatística, probabilidade. O mundo hoje é mais cético e não há grandes revoluções por aí. Muito se fala, pouco se faz.
Eu tenho várias dúvidas, mas também tenho certezas e uma delas é que nada vai mudar enquanto as pessoas não mudarem suas atitudes. Tanto faz direita e esquerda enquanto as pessoas continuarem fazendo o que fazem. Tanto faz direita e esquerda se todos mudarmos nossas atitudes e passarmos a fazer o que é certo.
Aí você me pergunta: o que é certo? O certo é viver respeitando o próximo. “A minha liberdade termina onde começa a tua”. Todos com os mesmos direitos e deveres. Outras atitudes podem fazer outro mundo. Essa não é uma verdade absoluta. Mas hoje é natal, fim de ano, e eu tenho o direito de acreditar. E sim, eu acredito numa mudança de atitudes. Não amanhã, mas quem sabe ano que vem. Porém, não quero que as coisas sejam perfeitas. Se chegarmos a perfeição não terá mais graça, pois não teremos o que criticar, não teremos pelo que lutar e nem em que acreditar.
Acima de tudo, acredito que mesmo quando o mundo for mais justo, não haverá muito sentido por aqui. Vamos continuar nascendo, comendo, ficando gordo, querendo entrar em algum padrão de beleza ou de intelectualidade e, indo além, continuaremos sabendo que esse mundo é o que sempre foi. Nunca estaremos satisfeitos. Se eu acreditasse em alguma natureza humana, diria que a base dela é reclamar.
Agora, a única coisa que me resta é viver nesse mundo sem sentido, acreditar nessas pessoas sem sentido, fazendo o meu papel de atribuir algum sentido a tudo como melhor me convém.

Uma simples (de coração) homenagem a Humberto Gessinger.

Ele já fazia sucesso quando eu nasci. Eu nasci no ano do Várias Variáveis. Anos mais tarde, seria justamente uma das músicas do VV que me faria a cabeça: ‘Piano bar’, na versão do ‘10.000 destinos’, primeiro álbum que chegou lá em casa por meio da minha irmã mais velha. Depois dessa música, muitas outras foram me fascinando com o tempo. A influência de Humberto Gessinger na minha vida é mais do que isso. Foi através das músicas dele que eu descobri outra forma de ver o mundo. Ele me salvou de ser mais uma na multidão.
O que eu mais gosto em cada música é a subjetividade que ali existe, nos dando várias possibilidades, mas com um fundo imutável. Ao mesmo tempo em que é simples, torna-se complicado explicar. Acredito que seja algo mais de sentimento, de olhar pela janela enquanto se percebe o mundo girando. Cada um vê seu mundo de um jeito, cada um sente o mundo de uma maneira diferente, mas quem ouve as canções de Gessinger, vê sempre um horizonte mais aberto, os olhos sempre mais atentos a cada movimento, sabendo que é preciso duvidar ao mesmo tempo em que é preciso acreditar.Eu, e meus irmãos De Fé, sabemos que nada faz sentido, por isso mesmo há muito que fazer.
E nesse dia estamos juntos para dizer ao melhor compositor do BRock: Feliz aniversário!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

É muito claro
É muito calor
A luz cega
O fogo sufoca
E a saudade incomoda
Soa uma frase ao longe
Mas é tão longe
Que a luz clara do sol
Não deixa atravessar
E o calor que me faz agonizar
Me deixa em silêncio
E com vontade de gritar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O comunista

Márcio era comunista!
Foi na adolescência, como muitos. Um primo estudava sociologia na Universidade Federal lhe apresentou Marx, Luis Carlos Prestes e Che Guevara.
Depois disso lia livros só desse assunto. Via filmes só desse assunto. Ouvia só músicas de protesto. Não assistia a globo por nada no mundo.
Apenas a luta das classes lhe importava na vida. Nada menos que mudar o mundo era a única coisa que lhe importava na vida.
Fez sociologia também, que nem o primo. O primo, depois da faculdade, conseguiu emprego em escola particular e nunca mais falou no assunto.
Durante o curso, Márcio realizou o sonho de visitar Cuba. Quando voltou, contou a todos, repetidamente, maravilhado, como tudo era lindo e perfeito lá. Jurava pra si mesmo mudar-se para Cuba se o mundo ainda fosse o mesmo até seus sessenta!
Ele lutava para o mundo mudar. Quando professor, falava como as coisas poderiam ser diferentes. Participava de manifestações na rua, na internet; participava das reuniões do partido comunista e tentava converter todos a se juntar à revolução e mudar o mundo.
No blog, o mote principal para conversão dos visitantes era:

“Você pode me achar um sonhador,
Mas eu não sou o único
Talvez um dia você se junte a nós
E o mundo será um só”

Até numa manhã em que saiu mais cedo do emprego entrou na primeira casa lotérica e apostou na mega sena. O prêmio estava acumulado. Eram muitos milhões. E os números sorteados foram os mesmos que Márcio havia jogado.

Márcio Milionário nunca mais falou sobre comunismo, Marx ou Che. Parou com as aulas no mesmo dia, comprou muitos imóveis na cidade e alugou todos.
Mudou-se e ninguém sabia dizer pra onde.
Mudou-se pra Las Vegas e abriu o “Cassino Vermelho” ganhando os niqueis das velhas aposentadas e dos trabalhadores assalariados.
Todo ano viaja. Não mais para Cuba, mas para a Europa. Há quem diga que já jantou com a Rainha Elizabeth e comprou um castelo lá na Grã-Bretanha. Castelo muito bem cuidado e limpo por centenas de empregados seus.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Luciana Van Gobi

Luciana Van Gobi não ficou mais on line
Nem pra despedida ela ficou
E depois de tanta saudade
Consigo lembrar das coisas que a gente não viveu
Foram tantas coisas coloridas
Em tardes de outono
E só nós achávamos graça
E ficamos ouvindo que
‘Todo mundo é uma ilha’
Que nada tem sentido
Mas a gente ria
E isso era o importante
E isso era a graça da vida.

Mas Luciana Van Gobi sabe onde está
Ela não se perdeu dela mesma
Ela é fiel ao que pensa
E mesmo que não volte
É coisa permanente pra se lembrar.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

É falta do que fazer ficar andando em círculos
E falta coração pra se admitir
Atos que não foram feitos por coragem
Mas por pura fé
Que temos no tempo
E jamais em nós mesmos

Tudo tão certo e óbvio
E a gente a reclamar por coisas
Que não fazem sentido
Que não tem motivo pra se fazer
Escute que é agora mesmo
O tempo de se ficar em silêncio

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A minha sorte é ter chegado na hora
A minha sorte é ter me atrasado na hora certa
Não foi uma questão de escolha
A coisa foi imposta
O momento foi trágico
Quase cômico
E quase mentira

Não tenho pressa
Não quero pressão
A prisão de todos os dias
Já é suficiente pra toda essa falta de atenção


A minha vontade sempre é maior
Meu instinto sempre grita
Eu me curvo, obedeço
Não me culpo no fim
É tudo sagrado enquanto respiro.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Misturo tantas coisas
Que no fim me sinto misturada
Nunca dissolvida
Nunca inteira
Mas no fim das contas
Nada mesmo quer dizer alguma coisa
Palavras jogadas ao vento
Vento que leva pra longe
E todo o resto vira veneno
E tudo o que não foi vira saudade
E toda saudade vira uma história inventada.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Me perdi em pensamentos
E acabei esquecendo o que era pra ser dito
Um reflexo no espelho
Não reflete o que eu vejo
Nem em sentido mais abstrato
Haveria sentido
E é o como e o quando da vida
Que nos deixa perdidos
Caminhando ora em florestas negras
Ora em praças ensolaradas e com brisa fresca
Uma parte do todo
Um pequeno pedaço de mundo
Um subsolo
É o que está por trás de tudo
Que faz esse todo
Que uns pensam e questionam
Que outros preferem nem saber
Há sempre um objetivo em tudo isso
E eu me perco em pensamentos
E fico sem saber
O que era mesmo que eu queria dizer.