quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Loucura(s)

Loucura é coisa de louco

Enquanto o mundo gira pra lugar nenhum
Enquanto o ano passa rápido e a semana não
Enquanto a gente pensa e não faz

Loucura é não sentir prazer

Não ver no dia a dia a beleza
Não ver na rotina a própria existência
Não fazer do tédio um companheiro na hora da solidão

Loucura é não querer a solidão

É se deliciar com prazeres prontos
É repetir frases feitas
É dizer que pensa e pensa

Loucura é coisa do mundo

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal = hipocrisia.

Natal só é bom pra quem tem dinheiro. Pro resto é só ilusão e decepção.
Esse espírito natalino, do qual tanto se fala, é falso. Demasiadamente.


Papai Noel Velho Batuta
Garotos Podres

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Pobres, pobres

Mas nós vamos sequestrá-lo
E vamos matá-lo

Por quê?

Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal

Por quê?

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Antes tarde

Parece que foi ontem
A vida era tão fácil que tudo parecia distante
Sonhos dos mais perfeitos e inacabaveis
É a única certeza que tenho

Hoje, o mundo já um caos
E os sonhos e perfeições não entram mais no roteiro

Pode até ser muito tarde, mas como sempre me diz Luciana:
"Antes tarde do que mais tarde"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Percepção

Quando olho pra trás
Percebo que o passado não foi pior
Foi apenas vivido por uma pessoa
Que já não sou
Meu horizonte hoje tem outra cor
Mais cinza talvez

Mais coloridos nos fins de tarde

É durante a noite que consigo me explicar
Mas cada noite sou outra
Efeito do dia
Efeito da vida que pesa nos ombros
Que me faz não ter outra escolha
Que me faz ser eu.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Condenação

A estrada ainda se abre a frente de todos
Sempre tem dois lados, duas caras

E ai de quem não usufruir de tal questão

É essa a famosa liberdade
Da qual já declaram antes:
"Estás condenado a ela"

Existem muitas questões fúteis pra se discutir
Talvez essa seja uma delas

E apesar de qualquer coisa, o que era importante pra alguém vira apenas estacionamento.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Coisa Humana: Homem.

A coisa mais humana que existe é o homem
Ele não passa de um mero erro
Que pensa que passa
Que pensa que não adianta
Que não deixará marcas
E condena a si mesmo
E comete o maior de todos os pecados:
Priva os demais
Do pouco de perfeição que possui.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Liberdade...?!...

...Na mídia somos um povo livre
Que tem livre arbítrio pra escolher
Tudo que a mídia nos oferecer...

sábado, 4 de setembro de 2010

O dia de hoje

Tempo frio.
O que temos pra fazer?
Se ler vai dar sono
Ir pra frente da tv
Dá vontade de comer

Dormir no frio é bom
Mas se desperdiça o dia


Televisão rima com alienação
Mas chega a ser divertido
Rir da nossa ignorância diante dela
Em frente ao apresentador que nos explica
Três vezes
Os termos mais comuns

E o que me sobrará de útil do dia
Além dessa rima pobre?

Fica sempre no ar
Um ponto de interrogação.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Que fim levaram todas as flores?

Que fim levaram todas as flores?
Que fim levaram todos os amores?
Perderam-se pelo caminho. Desistiram quase no finzinho,
Desistiram deles mesmos? O que ainda nos salva é a ilusão.
Cansaram de buscar por aquilo que eles não sabiam ao certo o que era.
Mas, quando a ilusão acaba, o que nos resta é a melancolia.
E a melancolia,talvez seja o fim de todos.
A alma que se quebra / o espelho que se parte ao meio.
No meio de tudo, a melancolia prevalece.
E com isso,tudo se estremece.
E a melancolia que prevalece não parte nem com as nossas preces.

Aquilo sub...entendido.

Tantas são as coisas que podem parecer poucas,
Mas poucas são as coisas que muito nos dizem, que muito nós entendemos.
Isso deve ser uma questão de muitos argumentos
Com fortes indícios de mentira
Intrigas podem ser feitas a partir do que não foi dito
E eu sempre chego a conclusão nenhuma
Me resumo apenas...
...Apenas isso.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

...

...O problema é pensar demais

Demasiado problema
Em ser Ser
Sentir
E se preservar do tal medo
Da tal solidão

O tempo nem sempre é relativo
Mas isso também é relativo.

E tens coragem de olhar no espelho?
A imagem que lá se reflete
Que lá dentro se espalha
E que no fim sempre se quebra

Não queira entender a fórmula pra depois sair
Nenhuma teoria coloca as coisas no lugar de onde nunca deveriam ter saído.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Paradoxos

Os dois lados:
Eixo e Aliados
Cara ou coroa
Cedo ou tarde
Poder e não querer
Encontrar sem buscar
Leste e Oeste
Norte e Sul
Quente Frio
Amor e indiferença

E há os que decidem não pular o muro.

sábado, 21 de agosto de 2010

Agosto.

Desgosto bonito só no mês de Agosto
Onde podemos rimar
E até remar contra nós mesmos
Colocar uma máscara e dizer
Que tudo é florido
Que o inverno já é quase uma lembrança
Que nada vai acabar
Que tudo vai mudar
O ano que já passou da metade
E o desgosto por tudo que não foi
No mês de Agosto é permitido
No mês de Agosto é bonito.

Mestre Raul: Eterno!

A primeira música que lembro de ter ouvido na vida é "Eu nasci há 10 mil anos atrás". Ainda muito nova, não entendia quem era Raul Seixas ou qualquer outra coisa que ele quisesse dizer. Mas eu gostava.
Sua influencia foi muito clara e produtiva na minha vida. Não vi ainda alguém que conseguiu misturar tão bem o bom e velho Rock n' Roll com o Baião. Na verdade, Raul fez isso tão bem que acho que ninguém mais se atreveria a fazê-lo.
Se tem outra coisa que também acho que apenas Raul conseguiu fazer é o modo direto de falar nas músicas. Ele fala do cotidiano da forma mais natural do mundo, usando metáforas que nos fazem viajar. Uma música toda simples, ao pé da letra, até que vem aquela frase que você leva uma vida inteira e acha mil possibilidades pra ela: todas certas, todas erradas.
Raul é sem dúvida o ser mais marcante do rock nacional. Tantos outros me emocionam tanto quanto Raul, mas Raul foi o mestre, o primeiro e a cópia mais fiel dele mesmo.

Algumas frases do Mestre:

"A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE"

"Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade"

"Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro."

"Que capacidade impiedosa essa minha de fingir ser normal o tempo todo."

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Coisa Normal.

Falar de coisas normais, deveria ser mais normal, não é?
O tempo é uma coisa norma, do qual a gente só fala na falta de assunto.
Falar sobre política também é uma coisa normal, mas é tão normal que a gente costuma olhar apenas para o lado que não presta. Será que estamos todos corrompidos? Será que ainda temos salvação?
Uma coisa leva a outra, mas a maioria não nos leva a lugar algum.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A vontade da vontade

O dia a dia vivido em toda a sua intensidade
Coisa que não se explica
Coisa tão simples que a gente até complica
Sentir o vento no rosto
E o tempo no espelho
A saudade que fere o peito
E trás o gosto doce da lembrança

Quem não se interessa por experimentar?
Quem é tão pouco que não tem vontade?

A própria vontade tem vontade
Tem medo
Tem coragem

Para concluir o que já foi dito
Faltou apenas o que não foi vivido
O que não foi feito de bom da solidão
E pra quem não viu o sentido
Sinto muito
Muito tarde agora
Para qualquer tipo de explicação.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Um dia especial

Meu pessimismo já chegou ao extremo de se conformar com tudo isso.
Acho que apenas reclamar não tem sentido
Tem dias que são feitos para outras ocasiões
Para serem eternos
Celebrados com alegria
Uma alegria, não divina
Mas sim real, própria do sentimento
Da razão que se perde de controle
Do controle que desliga a televisão
Pode se chamar a isso de momento especial
Momento que vira dia, dia que vira lembrança
E passa a ser eterno dentro da nossa
Saudade.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Irracional

Motivo pra existir
Pra ir e vir
Pra nada de mais fazer
Pra fazer tudo por prazer

Tem horas que realmente não dá vontade de acreditar
Acreditam por comodismo
Eu me faço de hipócrita perante a hipocrisia alheia
Posso ser pouco
Mas antes pouco do que quase nada

Minha fé não tem nada de cristã, minha razão não me permite continuar a crer numa invenção

Fanatismo acumulado


Percebo pouco que ainda faz,
Mas o que mais nos permite sair daqui?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O que nos faz ser?

?O que nos faz Ser um ser
Superficial
Movido a comodismo
À moda imposta
Ao imposto de todo mês
Ao salário minímo
Ao minímo de detalhes
Superficiais?

O super homem que não tem poder
O poder de não saber se impor
De se tornar um impostor
Que ainda tem imposto a pagar
Que o medíocre devora
Que volta à cova
Que quer nos salvar

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Viver não dói (Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos, por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante
e paga pouco, mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Alguma reflexão hoje?

Alguma coisa útil pra falar? E para pensar? Alguma observação pelo menos?
É, ainda ta difícil fazer, ser, olhar, ouvir.
Que o nosso mundo anda de cabeça para baixo todos já sabemos (quem não sabe, não sabe por que fez questão de ignorar), que tudo ta perdido é fato; que ainda temos chance também é fato.
Mas ainda temos chance de que?
De fazer mais? De ser mais?
A maioria esmagadora sem razão (sem emoção) insistem manter fechada a porta que poderia nos trazer a salvação, ou não.
O fato é que se o mundo anda em círculos, nem adianta mais tentar, mas se ele anda em linha reta, talvez algum dia, ele chega em algum lugar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ninguém teve culpa.

Ela partiu.
Deixou com ele todo o desejo de ambos.
Ele ficou desconsolado, não acreditava mais na vida. Tanto tempo esperando para dizer o quanto a amava. E ela não deu chance, não deu sequer a escolha. Fez sozinha, não pensou no mesmo futuro que ele havia sonhado, não sonhou os mesmos filhos, as férias de fim de ano na praia.
Ela partiu.
Foi por que sabia que não adiantava ficar. Todos sabem que não se pode esperar nada de alguém. Ela partiu antes que ele falasse, antes que ele a partisse.

sábado, 24 de julho de 2010

Enquanto eu tento, qualquer outro se desorienta
Finjo entender
Finjo a indiferença
Busco dentro de mim
Palvras soltas em algum silêncio

...?!Silêncio...?!

O que mais nos resta
Além do que ficou pra trás?
Será que isso basta?
Ou deveríamos querer mais?

E aí meu amigo, cadê você?

Onde ficaram todas as noites que passamos em claro? Claro que foram inúteis. Olhos e ouvidos que não viram nem ouviram toda a nossa conversa. Ela era sempre guiada por mente que não tinham nada demais a dizer. Lá fora, o tempo não colaborava. Queríamos fazer músicas que falassem de toda a hipocrisia que nos rodeava. Eu tentei te convencer várias vezes que não valia a pena sacrificar a carne em nome da fama. Você argumentava que tinha um ideal pra passar. Eu dizia que isso nada adiantava. Eu tentei lutar contra a tua prisão. Se éramos proibidos de pensar pelo mundo lá de fora, deveríamos ter continuado pensando somente entre nós, como fazíamos naquelas noites que já não existem. Você não me ouviu, falo que o que importava era lutar pela liberdade. Você foi a luta enquanto eu segui cantando o que as rádios me deixavam cantar. Eu segui sozinho, pensava nas mesmas coisas de antes, mas você estava na rua, abaixo de chuva lutando pelos demais, por aqueles que não calaram o seu nome. E agora meu amigo, tantos anos depois percebo que eu tinha a razão, pois você lutou e as coisas não mudaram. Você deixou que te matassem. Você mesmo se matou.
Hoje moro num país que é controlado pela esperança de algo melhor. Se ainda existe alguém que luta, esses são poucos, raros. Eu tinha razão. A coisa só mudou de nome.
Democracia!
Escolher ainda é ilusão.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Enquanto o mundo gira...

Até que a vida chegue num estágio final
Tudo o que somos, somos a todo instante
E o instante nos muda
Nos deixando inconstantes
Conscientes de tudo que nos rodeia
E do nada que deixamos levar

E quem disse que nada se transforma,
Se transformou em produto
De compra, venda e troca.

E a vida que era digna
Foi passada a limpo
Por todas as coisas
Que não voltam atrás.
Acoredei de madrugada
Perdi o sono
Perdi o rumo

Perdi tanto de mim nesses ultimos dias
Que os instantes mais breves
Parecem eternos

Não sinto mais o mesmo mundo
E até mesmo o nada
Já não é igual

E lá se foi mais um vez
Mais uma chance de mudar
O que eu ainda não consegui entender.