sábado, 30 de dezembro de 2017

Retrospectiva Literária – Feminismo e Sagrado Feminino

Retrospectiva Literária – Feminismo e Sagrado Feminino

Esse foi um ano de reencontro, um ano de mudanças bem significativas e, dentro tudo isso, alguns livros que li marcaram mais do que outros e é desses que pretendo falar. Eles me proporcionaram um autoconhecimento que, acredito eu, sejam bem importantes para a manutenção da saúde mental.
O primeiro da lista é A erva do diabo, de Carlos Castañeda. Preciso dizer que eu não gosto nem um pouco desse título que a edição brasileira deu ao livro, já que o original dele é The teachings of don juan, que em tradução livre seria “Os ensinamentos de Don Juan”, título que me agrada muito mais, mas acredito que a edição brasileira quis causar com o título.
Então, certa noite eu estava procurando o que ler e dei de cara com ele. Ele está na estante aqui de casa desde que Guio e eu juntamos nossa biblioteca, há muito tempo, mas somente esse ano é que eu resolvi ver qual era da Erva do Diabo e, fiquei muto surpreendida. Para começar, ele se trata de um trabalho de antropologia. Carlos Castañeda, para seu doutorado, resolveu investigar como os índios norte americanos utilizavam plantas alucinógenas em seus rituais. Nessa busca, ele conhece Don Juan que o ensina a utilizar e a cuidar de uma determinada planta, que é a denominada por ele como Erva do Diabo. Dentro as muitas coisas relatadas por Castañeda, um trecho muito interessante é quando ele fala do caminho do coração. Segundo Don Juan, quando escolhemos percorrer um determinado caminho, atingiremos nosso destino se esse caminho tiver coração, ou seja, se estivermos sendo sinceros com nós mesmos. Ele também enfatiza que podemos mudar de caminho quanta vezes quisermos, pois os objetivos mudam ao longo da vida, o que importa mesmo é seguir seu coração. O que dito de modo menos romântico significa agirmos de acordo com o que pensamos, sermos sinceros para com nós mesmos. E o que esse livro tem a ver com Sagrado Feminino ou Feminismo? Diretamente, nada. Mas como ele abriu as portas para algo novo em mim, achei interessante colocá-lo na lista.

Logo depois desse, eu li Mulheres que correm com os lobos. Esse livro é muito divulgado entre os grupos de sagrado feminino. Depois de lê-lo, fiquei sem entender como nunca o vi sendo citado por feministas de uma linha mais teórica e acadêmica. Mulheres que correm com os lobos é um livro de psicanálise da consciência feminina. A autora, Clarissa Pinkola Estés, é uma psicanalista jungniana e ela utiliza de vários contos de fadas, mitologias e contos folclóricos de vários lugares do mundo para explicar os arquétipos e a consciência da mulher. É uma obra fantástica, que nos leva a entender melhor porque agimos assim e como podemos nos livrar de muitos condicionamentos que nos são impostos de modo tão sútil que mal percebemos. Recomendo para todas!

Após, decidi procurar coisas que me ajudassem num auto conhecimento de mim enquanto mulher. Notei que, ao longo da vida, sempre procurei me compreender como ser humano, mas como mulher ainda me sentia desconhecida. Mulheres que correm com os lobos ajudou muito, me abriu os olhos para muitos pontos desconhecidos e, então, nessa busca, encontrei uma lista de livros que apontavam alguns bem interessantes. Dentre esses, dois me chamaram a atenção: Ciranda das Mulheres Sábias, também de Clarissa Pinkola Estés, e Lua Vermelha, de Miranda Gray. Comprei os dois.
A Ciranda das Mulheres sábias segue uma linha parecida com Mulheres que correm com os lobos e eu também recomendo muito, mas agora quero mesmo é falar sobre Lua Vermelha. Esse livro é sobre menstruação e os ciclos femininos que as muitas mulheres passam. E, apesar de ser um livro em que se fala de menstruação e útero, a autora deixa claro que não precisa ter um útero para ter tais ciclos, pois o útero não é apenas o biológico, mas também um certo sentimento feminino que está em todas as mulheres, com ou sem o útero biológico. É um livro muito interessante para quem busca uma compreensão e aceitação mais profunda de si mesma. Ele trabalha muito bem toda a carga negativa que recebemos ao longo da vida sobre menstruação e mostra que menstruar não é nada nojento ou sujo, mas uma parte das nossas condições como mulheres.

Por fim, voltando um pouco mais para o feminismo acadêmico, um livro que li bem recentemente foi Como educar crianças feministas, de Chimamanda N. Adichie. Um livro maravilhoso e recomendado para todos que possuem filhos, sobrinhos, afilhados, crianças perto de si. É um livro fininho, pequeno, que se lê em menos de duas horas, mas de um conteúdo maravilhoso. Ela fala sobre como a sociedade impõe padrões de comportamento a partir dos gêneros. O texto é escrito em forma de carta para uma amiga que acabou de ter uma filha e a pediu conselhos sobre como educar uma criança no feminismo. Ou seja, um modo leve e bem explicado.

Esses foram alguns dos livros que li esse ano que me ajudaram de modo significativo, me fizeram perceber e compreender as coisas com um olhar diferente. São livros que recomendo a todas as mulheres. Que em 2018, todas nós possamos ser mais fortes e que, cada dia, seja um passo a mais em busca da nossa liberdade.






quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Passagem sobre um dia qualquer a passar.


Diga-se de passagem
Mas tudo passa
Tudo para em algum momento
Tudo passa
A passos firmes
Em uma estrada torta
Eu passeio
Tudo para
Olho novamente
E me sinto passageira
Parada enquanto o ônibus anda
Eu paro
Ele passa
E as pessoas são passageiras
Eu passo
Sou passageira
Paro para contemplar
O Tempo passa e me leva
E neste momento,
O Universo passando,
Eu sentindo-me passageira
E o tempo a parar.

O dia tranquilo da salvação extraterrestre.


Gosto dessa tranquilidade que se tem
Logo após uma tarde dormida
Sem academia
E com a cabeça pensando tanto
Que nem tempo para o tédio se dá
Se há tempo ainda....
Misturo o lugar comum
Com a beleza passageira
Não há nada demais
Há algo a mais no ar
Quando se respira fundo
Antes de mergulhar
Meio mundo girando
O restante parado, esperando
Alguma nave extraterrestre
Que poderá nos salvar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sou à toa.

Estava deitada
E chegou até mim a ideia:
Poesia que nasce e morre no pensamento
Poesia que passa a ser nada.

São dias iguais
Que confundem o objetivo
E o objeto passa a ser supérfluo
Desde o dia da sua projeção.

Eu sou à toa, mas nem deveria ser
Eu tenho medo, mas nem deveria ser
E sou também a vaidade
Que eu nem deveria ter.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Não é isso que importa...

... Ordem imposta
Limite limitado
Não é isso que faz sentido:
Viver por viver
Respirar sem motivo
Não é isso que estranha:
Andar na rua sem olhar para os lados
Imaginar que está em um cavalo alado.

sábado, 13 de outubro de 2012

Estranha

E eu pensando que era estranha
Descobri que melhor ser estranha
Do que não ser 
Nada pode ser
Maior que a falta de estranheza
Deste mundo tão vulgar
Eu pensando
Descobri o que era
E o que já não poderia ser
Embora fosse ao longe,
O sol do horizonte só gerava sombra
E eu me deliciava na sombra
Luz cega mais do que a escuridão
Luz faz parte de outra coisa
E ainda prefiro o que é estranho
Que me induza a descobrir
Mesmo que inútil
O sentido que em algum lugar
Deve resistir.

sábado, 29 de setembro de 2012

É como diziam os filósofos Epicuro e Raul Seixas:

"Se os deuses existem, com certeza eles não se preocupam com os humanos, ridículos, limitados que só usam 10% da sua cabeça animal."